06 Novembro 2007

Você sabe se mulher existe?

Num grupo formado por jovens, dos doze aos dezesseis anos, foi criada uma peça teatral.
O texto, os ensaios, a direção, os figurinos e todos os detalhes foram deles. Nenhum adulto pôde dar qualquer palpite. Chegou o dia da apresentação e vi-me diante da mais perfeita demonstração da mulher atual, aquela que os homens ainda não se deram conta que existe.

A encenação compunha-se de uma mulher que comparece a uma reunião de negócios com um homem, sem aqueles terninhos e blazers que estavam em moda até alguns anos atrás. Ela usa um vestido discreto e ao mesmo tempo bem feminino. Ele já olha para a roupa e sem a muher dar nenhum sinal, já pensa que ela apareceu na reunião pra se "dar bem".

Eles falam de negócios e vão resolvendo todas as pendências. Ela entremeia a conversa de trabalho com alguns comentários e comparações engraçadas para dar leveza à tal reunião. De outra forma, esta seria longa e sacal para ambos. O homem escuta os comentários e começa a ter certeza que ela está dando em cima dele e resolve colaborar com outras comparações fazendo algumas gracinhas. Ela começa a achar a reunião bem mais agradável e sorri mais vezes.

Passa o tempo, a reunião termina e outras pessoas chegam para saberem o que ficou decidido na reunião. Forma-se, na aparência, uma roda de amigos.

Hora de ir embora, cada um para o seu lado. O casal que esteve em reunião descobre que vão para o mesmo lado da cidade. Por gentileza e por curiosidade para descobrir "em que ponto a relação dos dois" está, ele a convida para uma carona. Ela vê aquilo como uma praticidade e aceita. Perto da casa dela, ameaça cair um toró. E cai...

Pensando em retribuir a gentileza, a mulher o convida para um cafezinho enquanto ele aguarda a tempestade se acalmar. Mostra-se preocupada com o perigo dele poder ficar preso nas ruas alagadas. Ele não vê dessa forma, encara isso como um escancarado convite nas entrelinhas.

Até chegar a este ponto, tudo o que vemos na peça é um homem que está crente que a mulher está dando em cima dele e uma mulher sem maiores pretensões, guiada pela própria simpatia e o instinto maternal e protetor de toda mulher. Para firmar bem os pensamentos de cada um, os jovens colocaram várias pausas no decorrer da peça onde cada um dos personagens entra em contato com algum amigo através do celular e comenta o que está pensando - serviu para dar o tom certo à platéia.

As confusões começam quando eles entram na casa dela e o que parecia ser uma mesmice engraçadinha toma ares de grande comédia. Ela vai ao banheiro "vestir algo confortável" porque as roupas estavam encharcadas e ele pensa que ela vai se preparar para transarem. Ela oferece "algo quente" e se dirige ao bar para servir um whisky ao cara que estava pensando que ela arrancaria a roupa e pularia em cima dele naquele momento. Ela oferece "alguma coisa para comer, que possa colocar-lhe um sorriso" e, de novo ele confunde a janta com sexo.

A peça termina com ele tendo um big de um chilique com ela: "você quer transar ou não?" e ela, em estado de choque ao descobrir o que o rapaz estava pensando. Esclarecem o ocorrido e termina com uma pequena palestra. O debate é aberto e a palavra é dada primeiro aos homens presentes.

Confesso que os comentários masculinos me assustaram. Descobri que eles ainda estão num período tão "passado", que nem conseguimos mais visualizar. Estamos anos-luz à frente deles. Sei que muitas mulheres agem como se tivessem que arranjar um macho a todo custo e até apelam pra baixarias vulgares pra derrubarem a concorrência mas assusta que eles pensem que, assim como eles, pensamos nisso 24hs por dia.

Homens, aprendam! Somos mulheres e como mulheres temos um instino maternal natural. Somos protetoras sim, ficamos mais preocupadas com vocês do que "a fim" de vocês. Uma oferta gentil não é para cantar vocês. Se tivermos outros interesses, tenham certeza que deixaremos isso bem claro e com todas as letras. Até lá, tentem agir como se soubessem o que quer dizer "mulher moderna".

Aloha! Namastê! Sawabona!