17 Agosto 2006

Funeral: Veja

Lembro-me que a muitos anos atrás, os jovens vestibulandos recebiam conselhos de seus professores para que lessem diariamente a coluna econômica e política dos jornais. Para ficarem bem informados e preparados para questões sobre a situação atual do país, deveriam completar o dever de casa com a leitura da revista Veja.
Se a editora Abril pagou e quanto pagou às escolas, ninguém sabe - os que sabem não podem falar.

Anos depois, vemos os mesmos professores, desta vez mais rebeldes quanto às ordens de poderes da imprensa, recomendarem o impensável a alguns anos atrás. Os mais apaixonados pela profissão de ensinar aconselham o contrário a seus alunos: fujam de revistas como Veja e jornais diários. Procurem blogs independentes de jornalistas independentes. Mais uma das infinitas vantagens da Internet: ninguém precisa mais ater-se às regras impostas por alguns.

Os últimos anos mostraram que a famosa revista já promoveu seu próprio funeral. A terra começou a ser jogada lentamente sobre o caixão. Vende apenas para desinformados que ainda não receberam a notícia do óbito. São esses atrasados que lêem a revista e saem repetindo as mal informadas reportagens e artigos. Coitados, não os culpem!. Estes apenas querem parecer bem informados mas não sabem que sua informação vem de fonte mais desinformada que ele próprio. Seria mais precioso obedecerem ao provérbio que diz que o silêncio é de ouro. Pouparia o vexame de verem-se mentalmente catalogado como asno pelas amigos em seu círculo social. A ignorância pode ser divertida!...

Rezemos, irmãos! Rezemos para que possamos continuar a rir disfarçadamente dos tolos. Enquanto eles existirem, ainda haverá o palhaço do grupo - asno sim, mas um asno divertido.

Atenção: Não precisa me enviar a revista. Colocar fogo em papel influi pessimamente na camada de ozônio.

Aloha! Namastê! Sawabona!

16 Agosto 2006

Incredimail - o incrível babaca.

Tenho reparado no uso indiscriminado e sem objetivo deste que se diz, incrível e-mail. Os usuários são pessoas conquistadas pela ilusão de terem ao seu dispôr emotions incríveis para enfeitar seus e-mails. Cadastram-se para ter acesso a essa incrível (?) - ainda ouvirão muito essa palavra no decorrer deste texto - ferramenta virtual. Nossos amigos chegam em nossas caixas de e-mail implorando para que você também se cadastre e utilize esse incrível e-mail.

Mandam e-mails a seus amigos e aos amigos dos amigos com um banner no final da mensagem. Desta forma, essa incrível empresa arrebanha mais alguns milhares de usuários que serão usados para gerir lucro sem terem custo algum. É a famosa técnica de marketing: ganhar de graça. Ah! Desculpe-me, esqueci - em troca desse ganho, seus vendedores serão remunerados com a incrível vantagem de ter acesso a imagens que são encontrados em qualquer site de emotions, gratuitamente e sem a necessidade de atuar como vendedor sem comissão.

O mais incrível é que poucos desses usuários tenham paciência de ficar escolhendo emotions para enfeitar seus e-mails. Mas continuam usando o incrível programa para não perderem essa incrível vantagem. Não importa se não fazem uso, o principal é ter o programinha.

Na realidade das coisas, os incríveis usuários estão sendo explorados na sua inocência - só para ser educada e não dizer babaquice - de obter vantagens de graça. Quando as pessoas vão aprender que nada nesta vida é de graça, principalmente quando se trata de um serviço vindo de alguma empresa? Quando vão melhorar a sua auto-estima suficiente de forma a não se deixarem enganar por técnicas de marketing que exploram o lado babaca de ser do ganancioso ser humano?

Não são apenas pessoas de pouca cultura que se utilizam do incrível programa não. Vemos amigos graduados utilizando à vera o tal e-mail incrível. Concordo com você: inteligência não está em oferta em faculdades.

Como alertar nossos amigos que estão sendo abduzidos por uma ilusão? Não adianta chegar e dizer que o programa está se aproveitando deles porque estão cegos pela incrível ilusão. Já reparou que é muito mais difícil retirar as pessoas de suas ilusões e trazê-las para a realidade? Isso porque muitas pessoas preferem a ilusão à realidade: o vida é linda, o mundo é belo e ninguém vai me fazer mal algum...

A vida é muito linda - claro que sim!

O mundo é belo - nem penso em discordar. Como poderia fazê-lo ao presenciar o fenômeno da Pororoca, a grandiosidade das Cataratas do Iguaçu, a poesia sensível e erótica da Enseada de Botafogo, a neve em São Joaquim, o minuano no Rio Grande do Sul, as dunas do Maranhão, o agreste da Bahia, o sol do Nordeste. Oh, tantas coisas mais...

O problema do mundo não é o mundo, são as pessoas que vivem nele. Ninguém vai me fazer mal algum - acredita mesmo nisso? Pessoas são sujeitas às falhas e têm a incrível mania de querer ganhar sempre. Algumas mais que as outras, por isso a ganância vive arrebanhando milhões de babacas pelo planeta inteiro. Pensam que estão ganhando mas estão sendo usados e manipulados sem se darem conta disso.

O Incredimail é apenas a ponta do iceberg em meio a uma floresta marítima de icebergs - todos enormes e loucos para conquistarem mais um incrível babaca!

Aloha! Namastê! Sawabona!

14 Agosto 2006

Empresária Brasileira

Há uma certa curiosidade em qualquer cadastro que me deixa incomodada, a profissão. Soa-me como distinção preconceituosa disfarçada em estatística. Apesar de amar e ter orgulho de minha profissão, nunca respondo a esta questão adequadamente como eles gostariam. Preencho com estudante, do lar, alpinista, pensadora, filósofa e tantos outros que, entretanto, não fogem à realidade.

Enquanto estivermos vivos estaremos sempre aprendendo - somos estudantes.
Temos um lar, um teto, família e amigos – somos do lar.
Estamos tentando alcançar uma posição no topo - somos alpinistas.
Nos revoltamos com alguns acontecimentos e tentamos encontrar soluções para outros tantos – somos pensadores e filósofos.

Ao preencher meu último cadastro, coloquei sem pensar: cidadã brasileira. Cidadã brasileira não é profissão, é cargo público. Devia ter posto funcionária pública. Não, pensando melhor, esta também não é profissão apropriada. Empresária brasileira, esta sim é a mais apropriada.

Financio integralmente a empresa Brasil. Saem de meu próprio bolso o gasto do poder público, a compra e venda de empresas pertencentes ao conglomerado Brasil; ajudo a pagar salários de mais de 2/3 de funcionários federais, estaduais e municipais, mesmo que menos da metade dessa fração compareça ao local de trabalho ou realize suas tarefas com a devida competência. Estou plenamente envolvida e patrocinando todos ao passos e atos da empresa Brasil, desde as viagens presidenciais à compra e venda de ações e dívidas públicas. Financio empréstimos de pai para filho a empresas por puro interesse político. Assumo encargos pesados e perdôo dívidas milionárias sem nenhuma medida que me proteja desses prejuízos.

Qual a diferença entre a dona de casa taxada de do lar e o dono de grandes conglomerados? A verdade é que todos somos empresários. Não somos micros, médios nem grandes empresários: somos empresários – todos nós.

Daqui por diante todo cadastro que eu preencher, constará Empresária do Brasil com medalha de mérito por burrice. Não ria, você também está nessa estatística, seja lá qual for sua profissão.

Aloha! Namastê! Sawabona!