25 Junho 2007

Escritor Mendigo

Nossos e-mails recebem todos os dias, toneladas de mensagens de poetas e escritores que tentam ganhar leitores no grito, mendingando alguma atenção para seus trabalhos publicados em blogs, sites, comunidades ou qualquer outro espaço virtual. Algumas pessoas até gostam desses lembretes quando estes trazem trabalhos de alguém a quem adimiram ou quando optaram por receber esses lembretes.

Dói-me profundamente a súplica desesperada que tais e-mails trazem em suas entrelinhas: "pelo amor de deus, alguém tem que ler e gostar do que eu escrevo!", "me visite senão eu morro", "vou te encher o saco até que me leia". São torturas virtuais aplicadas por escritores iniciantes que buscam um lugar ao sol. Alguns ainda pedem que se deixe um comentário como se o leitor tivesse a obrigação de provar que leu tal trabalho. Tem aqueles que chegam tentando provocar uma curiosidade no leitor enviando algumas linhas do que foi publicado e recomendando "se quiser saber como termina, vá ao site tal".

Escritores mendigos crêem piamente que são os leitores que têm que provar que eles são bons. Não se dão ao trabalho de enviarem seus trabalhos a editores para que elas avalkiem seus trabalhos, pensam que entre seus leitores haverá alguma alma caridosa que resolva bancar sua fama. Provavelmente também acreditam em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

Apenas um ou dois por cento da população brasileira são leitores. Esses não são idiotas nem devem ser tratados como tal por estes escritores mendigos. Estatísticas não-oficiais mostram que temos mais escritores do que leitores. E preciso antes de tudo, formar novos leitores.

Quando o escritor é bom, seus leitores tornam-se fiéis. Não demora muito para que esses leitores passem a recomendar esses links a amigos e contatos que, por sua vez, repetirão o ciclo com seus amigos e contatos. Assim se forma um bom escritor virtual.

Então como o novo escritor pode tornar conhecido o seu trabalho? Como conquistar uma parcela desses leitores? Não tenho todas as respostas mas trago algumas dicas:

1) Leia os escritores mais lidos e avalie a sua obra.

2) Aceite críticas.

3) Publique seu trabalho em sites que agregam escritores e não fazem distinção entre eles. Ao escolher um site que atua também como editora, provavelmente seu trabalho não terá a devida atenção, a não ser que você faça parte da lista de escritores da tal editora. Na medida do possível, fuja destes sites...

4) Tenha o seu site ou blog próprio e coloque o link na sua assinatura.

5) No seu espaço virtual, troque links com outros escritores e sites ligados à sua categoria. Isso ajuda a trazer mais visitantes ao seu site do que convites por e-mail.

6) Visite blogs e sites de amigos e deixe algum comentário de incentivo.

7) Não mendigue, convide! Ponha um texto (completo) de sua autoria e disponibilize o link no final. Deixe que seus leitores tenham a liberdade para optar se você tem algo a dizer-lhes ou não.

8) Seja educado. Responda a seus leitores o mais breve possível e não esqueça de agradecer-lhes a visita.

9) Tenha cuidado para não ser repetitivo e incoviniente. Aqueles contatos que participam de sua lista de e-mails e das duzentas comunidades que você participa, vão considerar desagradável receber o mesmo convite por duzentas e uma vezes. Em pouco tempo seu trabalho agirá contra você, transformando-o num "bloqueado" devidamente taxado como um chato. Não se esqueça que as pessoas têm muito mais disposição para críticas do que para elogios...

10) Ofereça alguma chance das pessoas optarem por receber ou não, notícias de seu trabalho. Acrescente ao final do e-mail algum recado que transmita isso: "caso não deseje receber outros e-mails como esse, responda a essa mensagem confirmando sua opção".

11) Sejam criativos em suas idéias.

12) Formulem pequenos projetos comunitários e reúnam um grupo para colocá-los em prática.

13) Entrem em contato com editoras, livrarias, jornaleiros e políticos para buscar soluções e caminhos para seu trabalho.

Escritores e poetas: valorizem-se e deixem de ser mendigos!

Aloha! Namastê! Sawabona!

1 comentários:

Clarice disse...

Excelentes conselhos.]
O duro é pensar que todos eles queiram sobreviver de livros no Brasil. E a metade nem vale a pena ser comprada.
Já didde e repito e acho que até se aplica: somos 20% mineral e água o resto é pura vaidade.
Beijão