Empresária Brasileira
Há uma certa curiosidade em qualquer cadastro que me deixa incomodada, a profissão. Soa-me como distinção preconceituosa disfarçada em estatística. Apesar de amar e ter orgulho de minha profissão, nunca respondo a esta questão adequadamente como eles gostariam. Preencho com estudante, do lar, alpinista, pensadora, filósofa e tantos outros que, entretanto, não fogem à realidade.
Enquanto estivermos vivos estaremos sempre aprendendo - somos estudantes.
Temos um lar, um teto, família e amigos – somos do lar.
Estamos tentando alcançar uma posição no topo - somos alpinistas.
Nos revoltamos com alguns acontecimentos e tentamos encontrar soluções para outros tantos – somos pensadores e filósofos.
Ao preencher meu último cadastro, coloquei sem pensar: cidadã brasileira. Cidadã brasileira não é profissão, é cargo público. Devia ter posto funcionária pública. Não, pensando melhor, esta também não é profissão apropriada. Empresária brasileira, esta sim é a mais apropriada.
Financio integralmente a empresa Brasil. Saem de meu próprio bolso o gasto do poder público, a compra e venda de empresas pertencentes ao conglomerado Brasil; ajudo a pagar salários de mais de 2/3 de funcionários federais, estaduais e municipais, mesmo que menos da metade dessa fração compareça ao local de trabalho ou realize suas tarefas com a devida competência. Estou plenamente envolvida e patrocinando todos ao passos e atos da empresa Brasil, desde as viagens presidenciais à compra e venda de ações e dívidas públicas. Financio empréstimos de pai para filho a empresas por puro interesse político. Assumo encargos pesados e perdôo dívidas milionárias sem nenhuma medida que me proteja desses prejuízos.
Qual a diferença entre a dona de casa taxada de do lar e o dono de grandes conglomerados? A verdade é que todos somos empresários. Não somos micros, médios nem grandes empresários: somos empresários – todos nós.
Daqui por diante todo cadastro que eu preencher, constará Empresária do Brasil com medalha de mérito por burrice. Não ria, você também está nessa estatística, seja lá qual for sua profissão.
Aloha! Namastê! Sawabona!





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